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Praxes e escolhas

por Bruxa Mimi, em 05.10.17

"E, por fim, não fui para as praxes. Implicava, deitar tarde, e acordar cedo. Não dá. E eu confesso, as praxes, não têm nada a ver com aquilo que eu sou..."

 

Assim termina a Desconhecida o seu post sobre as primeiras semanas na universidade. Em alguns comentários, outras pessoas afirmam também que não percebem por que razão se fala mal das praxes (ou de alguns exageros nas mesmas), se só participa quem quer.

 

Quando eu fui caloira (há apenas 25 anos!), as praxes não foram para quem quis, foram para toda a gente que apareceu no primeiro dia de aulas. E para quem apareceu no segundo, pensando já ter escapado... Só sei de uma pessoa da minha turma que não foi praxada - porque só apareceu nas aulas passados muitos dias (não sei quantos, mas seguramente fora da época das praxes).

 

As praxes foram realizadas durante o dia, no tempo que seria das aulas. Uma das praxes, aliás, foi uma aula falsa, para assustar. Ficaram-nos com os passes (de quem os tinha, claro - quem ia a pé para a escola acho que entregou outro documento qualquer). Pintaram-nos a cara com batons (foi das poucas vezes que tive maquilhagem na cara...). Fizeram-nos gritar parvoíces. 

 

Só uma praxe me incomodou: a do "perfume" (mistura de vários perfumes rasca). Um cheiro insuportável. Mas podiam ter-me borrifado com o melhor perfume do mercado e o resultado teria sido o mesmo: uma dor de cabeça. Eu não aguento cheiros intensos. Posso gostar de um perfume, de passagem pelo meu olfato - isso não significa que aguente ter esse cheiro em mim durante muito tempo (e o muito é relativo). Ainda assim, esta praxe teve o seu lado positivo: estive à larga no meio de um autocarro a abarrotar de pessoas, ao regressar a casa... 

 

Não tive escolha, enquanto caloira. Fui praxada sem querer. Fui praxada por não querer ter faltas e por não saber que o primeiro dia de aulas não seria realmente um dia de aulas. Não tive escolha.  

 

Um ano depois, tive escolha. E escolhi praticamente não praxar ninguém. Assisti à aula da praxe como se fosse uma aluna repetente ("Aquele professor de Biologia era muita mau!"), escrevi uma palavra com baton na testa de um(a) caloira(a) - acho que as iniciais do curso. E nada mais. 

 

Porque, de facto, as praxes não têm nada a ver com aquilo que eu sou...

 

 

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4 comentários

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De A Desconhecida a 05.10.2017 às 21:49

Não podemos ser todos iguais, nem gostar todos do mesmo. ;)
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De Bruxa Mimi a 06.10.2017 às 15:17

Claro que não! O mundo não teria graça nenhuma se assim fosse. :-)
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De Mafalda a 11.10.2017 às 12:22

As praxes são uma aberração. Felizmente nunca fui praxada, talvez porque com o meu ar permanente de quem estava a caminho da biblioteca, nunca pareci caloira. Também nunca praxei ninguém, nem tal coisa me passou pela cabeça.
Que quem gosta de "tradições" parvas praxe ou se deixe praxar, enfim... mas devia ser muito claro que bastava alguém não querer participar para não ser sujeito às tendências sádicas dos outros. 
E, ainda assim, devia haver limites e a universidade devia controlar comportamentos. Não há nada de digno ou tradicional em humilhar os mais fracos, e menos ainda em esperar um ano para se "vingar" fazendo pior aos seguintes.

 
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De Bruxa Mimi a 11.10.2017 às 14:06

Também acho que deveria bastar um "Não quero ser praxad@" para se deixar a pessoa em paz!

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