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Alheia a tudo... ou talvez não!

Blogue da Bruxa Mimi. Marido: Gato Rogério. Filhos: "Vassoura", "Varinha", "Feitiço" e "Magia" (13, 11, 10 e 2 anos).

Era uma vez... um post sobre vacinação

20.04.17 | Bruxa Mimi

Há muitos anos, era normal ter muitos, muitos, filhos, dos quais alguns morriam logo na primeira infância. Todos sabemos (ou talvez nem todos, atendendo a algumas modas que correm por aí) que a mortalidade infantil era muito elevada. As causas da morte eram variadas, como hoje são. Mas algumas dessas causas eram doenças que facilmente se espalhavam, por serem muito contagiosas. Nem toda a gente que apanhava essas doenças morria, felizmente (também houve quem escapasse à morte após ter contraído a peste negra, no século XIV, apesar desta ter reduzido drasticamente o número de habitantes do nosso país), mas muita gente morria e não havia nada que se pudesse fazer. Os organismos não estavam preparados para reagir a estas doenças, sendo vencidos por elas.

 

Entretanto, foram desenvolvidas umas "coisinhas" chamadas vacinas. Basicamente, consistem em dar uma dose mínima, controlada, do agente causador da doença, em corpos saudáveis, que, saudáveis como são, reagem e "dão cabo" do tal agente. Mas não só. Os corpos ficam igualmente preparados para reagir e "dar cabo" do exército de agentes, se, mais tarde, estiverem em contacto com a doença.

 

Graças às vacinas, o sarampo, por exemplo, foi erradicado de alguns países, como, deixa cá ver... o nosso. 

 

Mas, incrivelmente, para algumas pessoas (eu li isto em comentários, em vários sítios), se agora há casos de sarampo, os culpados são as pessoas vacinadas, porque "transmitem a doença". Algumas dessas pessoas acham também que as vacinas são um negócio altamente lucrativo, que enriquecem a indústria farmacêutica, "à custa" dos "otários" que "engolem as histórias todas, sem pensar", e que vacinam os seus filhos. Nestes "otários" me incluo (com a salvaguarda que não me considero otária)!

 

Relativamente a esta hipótese de enriquecimento da indústria farmacêutica graças às vacinas com décadas de aplicação e resultados inquestionáveis, como as que fazem parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV), o meu comentário é o seguinte:

 

- E se for verdade? Se realmente enriquecerem (enriqueceram) à custa do desenvolvimento destas vacinas, é (foi) merecido! Pois muitas vidas se salvaram (e salvam) graças a elas! 

 

Mas nem sequer acredito que sejam as vacinas do PNV (o nosso e o de outros países) a dar grandes lucros, porque são produzidas e distribuídas em larga escala, há muito tempo. Nesse aspeto será realmente como noutros negócios: o que é novidade, paga-se bem, o que é comum, fica mais em conta. Por isso é que as vacinas que estão fora do PNV se pagam, e bem.

 

Para terminar, partilho um pensamento que diz respeito à política, sim, à política! Eu, que de política percebo perto de nada... Sempre que muda o governo, uma das coisas que se nota (aqui estou a pensar mais no campo da educação, que é o que conheço melhor, mas desconfio que acontece em todos os ministérios) é que querem fazer mudanças, como se manter o que os anteriores ocupantes do lugar estabeleceram fosse "não fazer nada".

 

Alguém me pode dar um exemplo de uma equipa do Ministério da Saúde que tenha decidido retirar alguma vacina do PNV, para ser diferente? Que tenha decidido que vacinar era uma grande asneira? Que tenha recomendado que não se vacinem as crianças? Ou, pelo contrário, se há coisa que se tem mantido, e vindo a incluir novas vacinas, à medida que passam as várias fases de estudo/investigação, é o PNV? Por que será?

 

Porque, ideologias aparte, as equipas dos vários governos não vão brincar com o que é sério, e as vacinas que fazem parte do PNV já deram mais do que provas da sua utilidade, em termos de saúde individual e coletiva.

2 comentários

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